O uso correto da tecnologia favorece o resultado de um negócio

Nesse tempo de confinamento por conta do COVID-19 muito se tem falado sobre teletrabalho e no uso da tecnologia para minimizar os impactos.

Meu primeiro trabalho levado a "sério" pelo pessoal da época foi em um banco. Eu já tocava um monte de iniciativas empreendedoras desde o início dos anos 90, mas o que todo mundo sempre me perguntava era quando eu iria conseguir um emprego com carteira assinada. Em março de 1997 encontrei num almoço meu amigo Rodrigo que trabalhava nesse banco e que estava acompanhado de dois colegas - Toninho e Evandro - que tinham sob responsabilidade o CPD. A conversa fluiu sobre vários assuntos até que meu amigo disse a eles que eu era "fera em informática". Eles se interessaram e começaram a me sabatinar ali mesmo, gostaram das respostas e me disseram que o banco estava procurando uma pessoa para colaborar no CPD e se eu estaria disponível. Disse que sim e eles combinaram de agendar uma entrevista com o diretor administrativo - Sr. Domingos - que seria quem bateria o martelo. No mesmo dia me ligaram marcando para o dia seguinte.

Fui para a reunião muito animado e ela fluiu melhor ainda. Como diria minha mãe "meu santo se deu bem com o santo" do sr. Domingos e saí dali contratado. Ele era o tipo de funcionário "caxias" e claro que me colocou naquele regime de experiência e coisa e tal, mas eu comecei bastante confiante. Fui para o CPD ser apresentado aos meus dois novos colegas de trabalho Eliana e Jose Carlos. A rotina do CPD era bastante suave, a rigor muito pouco acontecia que justificasse a minha contratação. Existiam dois sistemas que controlavam tudo e quando dava algum problema dependia sempre do suporte deles. Ou seja, não havia até então muito espaço para inovar ou mudar as coisas pra melhor.

Eis que as circunstâncias foram favoráveis e surgiu um evento com potencial catastrófico para o banco. Pouco tempo antes de me contratarem eles fizeram uma quantidade grande de venda de linhas telefônicas. Naquela época, linhas telefônicas fixas custavam um bom dinheiro, eram declaradas no imposto de renda e vinham com ações da companhia. O banco havia desenvolvido um software com uma empresa. O banco de dados corrompeu e eles se viram da noite para o dia sem as informações de quem comprou, das linhas, contratos, etc. O Toninho, responsável pela operação, surgiu no CPD no final do expediente (meu horário de trabalho ia até 19h) e me contou o caso, mais como desabafo do que propriamente com alguma esperança de que eu, recém contratado, pudesse fazer algo. Pedi a ele me desse acesso ao computador onde estava o software, daí baixei o banco de dados e disse pra ele que iria tentar resolver de casa. Voltei no dia seguinte as 9h com o banco recuperado e 100% dos dados íntegros. Você poderia me perguntar o por que de eu não tentar resolver no próprio banco. Simples: além do meu equipamento de casa ser melhor, no banco eu não teria como instalar os softwares e fazer todas as muitas tentativas de solução.

Anote aí: foi um trabalho feito de casa, fora de um horário pré-estabelecido como sendo "de trabalho".

Naquele tempo (ficou no estilo da leitura do evangelho nas missas) os bancos faziam compensação de cheques. Existia um funcionário que ia para o banco meia-noite, processava os cheques e fazia o fechamento e abertura do sistema. Se tudo desse certo, as 9h30 os sistemas já deveriam estar prontos para abertura da agência as 10h. Só que dava certo na minoria dos dias. A realidade era de uma maioria de dias com problemas de atrasos que deixavam os gerentes malucos e a diretoria bastante brava. E isso era porque a "culpa" era sempre atribuída ao sistema. Daí eu fui conhecer a rotina de trabalho do colega da noite em busca de encontrar alguma possibilidade de melhora. Percebi que existia um total desperdício de tempo. Pasmem: meu colega ia ao banco meia-noite só pra apertar enter no teclado duas vezes. Aguardava por 4h o sistema rodar e, depois, se tudo desse certo providenciava a abertura. Se algo desse errado ele não tinha como fazer nada além de ligar para mim ou para a Eliana para tentarmos fazer algum ajuste no processamento. Era uma rotina complicada. Depois de avaliar, formulei a seguinte ideia: em vez dele chegar a meia-noite pra fechar o sistema ele passaria a ir as 6h da manhã do dia seguinte apenas para fazer a abertura. Eu criaria um robô que faria o fechamento a meia-noite. Claro que ninguém acreditou que pudesse dar certo e só não fui impedido de tentar porque os problemas gritavam e praticamente não poderia ficar pior. O resultado foi incrível, pois além de não termos mais problemas com os atrasos na abertura da agência, também melhorou muito a qualidade de vida do colega que não precisava mais ficar lá a madrugada toda.

Anote aí: foi uma solução que fez uso da tecnologia para melhorar a maneira como um trabalho era executado, otimizando o tempo do funcionário e possibilitando melhor resultado para o banco.

Durante o tempo que trabalhei lá, tempo bastante feliz por sinal, tive a chance de participar de outras tantas ações onde o uso da tecnologia e um pouco de criatividade aplicada favoreceram ao banco.

Não há razão para temermos a mudança, ainda que elas possam nos trazer algum desconforto inicial. Afinal, de tempos em tempos elas irão ocorrer. Tudo mudou na época da revolução industrial, mudou depois das inúmeras crises que o mundo atravessou e irá mudar novamente agora depois desta crise que vivemos. Lembrando da frase de Heráclito de Éfeso, filósofo grego que viveu antes de Sócrates:

A única constante é a mudança.

Antecipe-se para poder sempre entender e adaptar seu negócio a ela.

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